O CÃO DA ALÇA SUDESTE

O progresso se faz necessário em todas as instâncias de desenvolvimento no mundo. Seja na área tecnológica, seja na construção civil, seja na ciência ou em todos os segmentos da evolução humana.
No entanto, muitas vezes, nos deparamos com pequenas coisas ou fatos que nos impressiona. Recentemente, me deparei com um desses acontecimentos. Foi na nova via de acesso que está sendo construída aqui, em Patos, denominada de: Alça Sudeste, que vai agregar o fluxo de veículos vindo do centro e do bairro do Jatobá, passando sobre o Rio Espinharas, no sentido da BR 230, a qual servirá para escoar parte do trafego da cidade de Patos. Principalmente, os caminhões e carretas que vêem da região sul, sudeste e dos estados do nordeste, no roteiro que vem do sul, no sentido leste.
Bem, isso é o progresso, e é plausível!.
Contudo, o que meus olhos enxergaram, talvez, tenha uma paisagem romântica ou sentimental, que alguns não perceberam!
Fitei meus olhos em uma casa de fazenda antiga, já desabitada, que fica às margens da Alça Sudeste, que está sendo destruída pelas máquinas pesadas, tipos retroescavadeira, para dá espaço a uma futura construção.
Percebi, ali na frente daquela casa, um semblante perdido no tempo. Era um cão vira-lata, de cor branca amarelada, que contemplava tudo aquilo sem pestanejar nem uma pálpebra. Notava-se naquele olhar, uma tristeza infinita; uma dor grande, na alma daquele animal – que talvez, essa alma," ele a possua - ;era à marca de um sentimento de perda, de algo que não voltaria mais!
Como eu tinha que me dirigir ao meu trabalho, não pude continuar a contemplar aquela cena – que pra mim, transmitia uma dolorosa dor! - Era como se eu fosse o próprio cão, sentindo na pele a destruição do meu lar, onde, provavelmente, teria nascido, crescido e vivido!
Com essa sensação de dó e sentimento, me afastei dali, o mais rápido possível!
Continuo passando por lá, mas, não tive mais coragem de olhar para os destroços que ainda resta naquele ambiente. Pois, o que ficou em minha mente foi a imagem daquele cão triste e marcado pelo preço do progresso!
Patos, 21/08/2013.
Anchieta Guerra
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